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É comum nos depararmos com crianças e adultos que apresentam dificuldades auditivas: desatenção ou atenção curta; distração fácil com sons; dificuldade de compreender em local com barulho; incômodo aos sons altos ou a ruídos de fundo; pedem para repetir a informação; tem problemas para lembrar-se de coisas que aprenderam auditivamente; trocam ou omitem letras na fala; ouvem, mas não entendem; apresentam baixo rendimento escolar; dificuldade de compreender palavras de duplo sentido; crianças que demoram muito para falar; dificuldade de compreender o que lê; inversão ou troca de letras na escrita; pessoas muito agitadas ou muito quietas chegando ao isolamento. Muitas vezes pessoas que apresentam tais dificuldades, não as possuem por “falta de interesse”, mas sim por apresentarem o chamado distúrbio do processamento auditivo central.
O que é distúrbio do processamento auditivo central (DPCA)?

O distúrbio do processamento auditivo central (DPCA) é uma falha durante o processo de decodificação das ondas sonoras, ou seja, uma dificuldade que a pessoa tem de analisar, associar e interpretar as informações sonoras que chegam ao cérebro pela audição.
O que pode causar o distúrbio do processamento auditivo central (DPAC)?
As causas podem ser:
-Genéticas: um grande número de casos é hereditário, pais e filhos apresentam características semelhantes;
-Otites frequentes durante os três primeiros anos de vida. A presença de processos alérgicos e respiratórios, tais como sinusites, hipertrofia de adenóides e amígdalas, rinites e até mesmo refluxo gastro-faríngeo estão comumente associados;
-Pouca estimulação auditiva durante a 1ª infância pode gerar uma imaturação das estruturas do sistema nervoso central;
-Traumatismo craniano;
-Meningite;
-Doença de Alzheimer;
-Alcoolismo crônico.
Como diagnosticar o Distúrbio do Processamento Auditivo Central?
A avaliação específica do processamento auditivo é realizada por um fonoaudiólogo da área audiológica. É necessário que marque uma avaliação do processamento auditivo central, onde o exame é realizado em cabine acústica, com fones auriculares através dos quais são aplicados testes gravados em CD e padronizados por faixa etária.
Para realização da avaliação do processamento auditivo central é necessário apresentar a audiometria realizada no mínimo em um prazo igual ou inferior a três meses, idade mínima de seis anos, nível de linguagem, atenção e cognição suficientes para que possa compreender os testes que avaliam a audição central. A avaliação da função auditiva, com esse tipo de teste, fornece subsídios para o direcionamento terapêutico, sendo que o prejuízo causado pelo comprometimento no processamento auditivo central afeta tanto a aquisição quanto o desenvolvimento educacional, social, psicológico e/ou vocacional.
Normalmente o DPAC encontra-se associado a dificuldades de aprendizagem, as crianças portadoras de distúrbio de aprendizagem têm dificuldades em vários aspectos do processamento auditivo linguístico e apresentam falhas cognitivas.
Existe tratamento para quem tem Distúrbio do Processamento Auditivo Central?
SIM. O tratamento é realizado através de terapia fonoaudiológica com contribuições de áreas como Psicopedagogia, Medicina, a Psicologia, entre outras profissões da área.

Quando procurar um terapeuta da aprendizagem?
A Psicopedagogia atende crianças, adolescentes e adultos com dificuldades de aprendizagem, bem como, distúrbios que interferem neste processo.
A Psicopedagogia trabalha com o DPAC através de mudanças no sistema motivacional, favorecendo um controle emocional durante a leitura e auxiliando para que tenha uma boa imagem de si mesmo e consiga conviver com as dificuldades, auxiliando no melhoramento da capacidade para operar com as regras que relacionam fonologia – ortografia e trabalhando a compreensão de textos.  Partindo de textos curtos, interessantes e lidos de forma conjunta, possibilita que a leitura desperte sentimentos positivos. Cria redes com a escola e a família de modo continuado. Orientam professores que apresentam necessidades de ajuda para usar estratégias especiais para “favorecimento” de qualquer ordem.
Dessa forma, acreditamos ser necessário detectar rapidamente as crianças com desordens do processamento auditivo central para que elas possam ser trabalhadas, e, assim, se tornarem menos suscetíveis às dificuldades de aprendizagem. Acreditamos, também, que pais e professores desempenham importante papel nesse processo, visto que estão constantemente em contato com as crianças nos momentos em que elas desempenham suas atividades escolares.
Fonoaudióloga Kátia Helena Pereira e Psicopedagoga Luciane Carla Teló Schwinden / Foto: N/A

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